Você já se deparou com vídeos ou posts nas redes sociais classificando certos produtos como “não são comidas de verdade”? Expressões como “isso não é comida”, ou “isso é plástico” viralizaram nas plataformas digitais gerando debates sobre o que realmente merece entrar no prato.
Essa discussão vai além do modismo digital e toca em questões fundamentais sobre saúde digestiva, qualidade alimentar e educação nutricional.
O que significa “não são comidas de verdade” ?
Nas redes sociais, a expressão “não são comida de verdade” geralmente se refere a produtos ultraprocessados que se afastam significativamente de alimentos em seu estado natural. Não se trata necessariamente de algo “proibido” ou “impróprio para consumo” no sentido sanitário, mas sim de uma crítica à qualidade nutricional e ao grau de processamento industrial.
A diferença é:
- Impróprio para consumo: Questão sanitária, risco à saúde imediato (contaminação, qualidade vencida).
- Ultraprocessado: Questão de padrão alimentar, efeitos a médio/longo prazo na saúde.
Essa distinção é essencial para não criar pânico desnecessário, mas também para não banalizar o consumo frequente de produtos com baixo valor nutricional.
Por que os ultraprocessados geram tanto debate?
Os produtos ultraprocessados, ou “alimentos que não são comidas de verdade”, ocupam um lugar controverso na alimentação moderna por sua composição química complexa com aditivos que nosso organismo não reconhece facilmente, densidade calórica alta com poucos nutrientes essenciais, e impacto na microbiota intestinal. O debate não é sobre “proibir” esses produtos, mas sobre conscientizar sobre seu lugar na alimentação: consumo eventual versus rotina.
Como os ultraprocessados podem afetar seu sistema digestivo?
O consumo frequente de alimentos que não são comidas de verdade pode desencadear uma série de sintomas digestivos que vão muito além do desconforto passageiro. O sistema digestivo é projetado para processar alimentos em seu estado natural, e quando confrontado regularmente com compostos químicos complexos, pode reagir de várias formas:
- Azia e refluxo gastroesofágico: Muitos ultraprocessados contém gorduras, condimentos e aditivos que relaxam o esfíncter esofágico inferior, permitindo que o ácido estomacal retorne ao esôfago.
- Estufamento e distensão abdominal: Combinação de fibras insuficientes e fermentação de certos aditivos no intestino, criando gases e desconforto.
- Desconforto abdominal persistente: Processo digestivo mais lento e complexo quando o organismo precisa desmontar estruturas químicas artificiais.
- Alterações no trânsito intestinal: Constipação pela falta de fibras ou diarreia como reação a conservantes ou edulcorantes específicos.
Alguns pacientes não conectam imediatamente seus sintomas digestivos ao padrão alimentar. Só quando fazemos um diário alimentar detalhado é que percebemos a correlação entre o consumo de certos alimentos que não são comidas de verdade e o agravamento dos sintomas. A sensibilidade individual é crucial, enquanto algumas pessoas toleram bem determinados produtos, outras desenvolvem reações significativas mesmo com consumo moderado.
O principal desafio não está no consumo ocasional, mas na transformação em hábito. Quando alimentos que não são comidas de verdade substituem alimentos in natura na rotina, podem surgir deficiências nutricionais, sobrecarga hepática pelo processamento constante de aditivos, inflamação de baixo grau associada a problemas de saúde a longo prazo e alteração do paladar. A chave está no equilíbrio e na consciência alimentar, não na proibição absoluta.
Muitos problemas digestivos melhoram significativamente quando há um reequilíbrio entre alimentos naturais e alimentos que não são comidas de verdade. Em caso de dúvidas, procure um gastroenterologista.



